Grey’s Anatomy – S09E02 “Remember the Time”

Ao escrever esta review enfrento, em certa medida, o desafio com que Shonda Rhimes se confrontou quando escreveu o início da temporada… continuar a narrativa de forma linear ou trocar as voltas aos espectadores e apenas aos poucos é que vamos tendo a noção da enormidade do drama. Penso ser simplista em demasia dizer que gostei ou não da abordagem da autora. Pensando bem, ela não tinha muitas chances de fazer muito diferente do que fez… pelo que percebemos, eles passaram cerca de uma semana na mata… das duas, uma: ou transformava o grey’s numa versão abreviada dos primeiros tempos de Lost; ou, apresentava-nos a história por via da extensão das cicatrizes que a tragédia acarreta. De um ponto de vista dramático, funcionou melhor assim…

Tenho que confessar que já faz mais de duas semanas que vi o season premiere de Grey’s Anatomy e a imagem de Arizona deitada naquela cama a discutir com a Callie não me sai da cabeça… ao ponto de ter temido ver o episódio seguinte e perceber como tínhamos chegado àquele ponto. O medo costuma trazer ao de cima o lado mais duro de cada um de nós… Arizona está assustada e revoltada e mostra-se cruel. A cena dela com Karev teve o mesmo impacto em mim que a do primeiro episódio com Callie. Ela é médica, quando viu os exames ela tinha certeza que dificilmente alguém lhe poderia salvar a perna, ainda assim colocou o impossível nas mãos de Callie… isso, na minha opinião, é incrivelmente mau. Elas têm uma filha em comum e como disse o Derek (acerca de Zola) , o mais importante é que no final do dia Sofia ainda tenha as mesmas duas mães.

Isto leva-nos à despedida de Sloan… já aqui comentei uma data de vezes como acho injusta a sua partida, mas ao menos deram-lhe uma despedida digna, tendo apenas ficado triste com o facto dele não se ter aguentado até se despedir de Sofia. O Chief Weber teve fantástico ao longo de todo o capítulo… é preciso muita classe para fazer o que ele fez e ter dado a um doente terminal uma digna partida. Uma vez mais deixo um screen do sorriso inesquecível de Sloan!

No primeiro capítulo eu comentei o novo perfil focado e assertivo de Meredith, que lhe valeram a nova alcunha. Neste episódio, o novo perfil do personagem fica completo… esta Meredith não está apenas mais focada no trabalho, ela tomou a atitude corajosa de lutar e ver as coisas de uma forma positiva e com isso estar emocionalmente disponível para ajudar Derek, Cristina e toda a equipa. Ela pode ter herdado o talento da mãe e temia que ela se aproximasse, no decorrer da temporada, do perfil desta; mas, ela todos os dias opta ser diferente. Os caminhos que se entre-cruzam e se afastam foi sempre um dos lados que mais apreciei na série.

Noutro dia estava a passar na televisão um capítulo da segunda temporada, quando Yang sofre o aborto espontâneo e desde aí não me sai da cabeça como o personagem mais racional da série, acaba por ser tão passional ao ponto de ao longo do tempo já ter tido duas gravidezes não planeadas. Pode-se dizer que são as idiossincrasias da vida, que a tornam interessante. O modo como ela lida com as situações traumáticas também vai seguindo um padrão, ainda que desta vez ela tenha estado mesmo num estado catatónico clinicamente comprovado. Fugir e procurar um contexto onde ela se sinta em controle acaba por ser a sua solução, mesmo que isso implique afastar-se de Meredith e Owen.

Não encontro melhor forma de terminar esta review do que com a transcrição do telefonema final entre Meredith e Cristina… muitos podem não ter gostado das opções de Shonda, algumas partes podem até ter sido um pouco arrastadas, mas o diálogo final entre ambas valeu por tudo e abre as ‘hostilidades’ da nona temporada de Grey’s com um trago vintage:

Meredith: “Hey, ainda não liguei porque… pronto, tu também não ligaste… tinhas razão acerca de tudo. Tinhas razão! (…) Aqui é o lugar onde coisas horríveis acontecem. Estavas certa em partir e estás provavelmente a safar-te de um desastre. (…) Olha para mim, eu praticamente cresci aqui… e tens razão está a magoar-me em formas que eu provavelmente nunca serei capaz de superar. (…) Eu tenho várias memórias de pessoas, pessoas que perdi para sempre. Mas, eu também tenho muitas outras lembranças também. Aqui foi o sítio onde ma apaixonei, o sítio onde encontrei a minha família.. Foi aqui que aprendi a ser médica, onde aprendi a ter responsabilidade pela vida de alguém… e, foi o sítio onde te conheci! Por isso acho que este sítio me deu o mesmo ou mais do que me tirou. Vivi tanto aqui, tanto como sobrevivi.. apenas depende do modo como olho para isso. Vou escolher ver isto dessa forma e me lembrar de ti dessa forma. (…)”

(clique nas imagens para ampliar)

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