Fringe – S04E07 “Wallflower”

Nunca gostei muito da palavra «normal» para descrever o que quer que seja. A simples suposição de que alo é normal implica, necessariamente, que exista algo «anormal»…ou que fuja do padrão considerado normal. Aceito que existem regularidades, normas e que a nossa vida obedece, na maior parte das vezes, a um certo grau de padronização. Contudo, quando etiquetamos algo ou alguém como normal ou anormal, esse acto não é arbitrário e obedece, na minha opinião, a um exercício de uma forte violência simbólica, em que alguém se integra num qualquer grupo e o outro «estranho» fica excluído.

Ainda assim, são rótulos como esse que nos dão um certo grau de certeza ontológica sobre o mundo que nos rodeia e que nos permite posicionar-nos e simplificar a nossa vida social. Fringe é uma série  em que a «norma expectável» é colocada em causa das mais variadas formas. Não adianta estar aqui a  elencar as imensas questões que a série levanta, mas já por várias vezes me tinha questionado se os personagens de Fringe, que diariamente têm que questionar o que o simples mortal toma como minimamente garantido, não ficam meio insanos?! E, finalmente, num episódio que pode ser considerado morno, essas questões vieram ao de cima… Olivia com as enxaquecas resultantes dos experimentos de que foi e que ainda é alvo e Lee com insónias devido a tudo o que tem vindo a descobrir no pouco tempo que leva na investigação de eventos ‘fringe’.

Assim, neste capítulo de Fringe, um homem morre misteriosamente devido à intervenção de uma força invisível. A investigação lava a equipa a visitar a Massive Dynamic e a questionar Nina acerca de um antigo expeimento em que tiveram envolvidos. Há umas décadas atrás, eles raptaram um bebé que apresentava profundas alterações genéticas para poder estudá-lo. O bebé sobreviveu a muitos destes experimentos e foi apelidado de ‘U-gen’ [gene desconhecido] que o tornava invisível. Há alguns anos atrás, aquando de um incêndio num laboratório, os responsáveis pela MD acreditam que ele tenha escapado, mas nunca o procuraram dada a impossibilidade de o encontrar, visto este ser invisível. Mas, a equipa de Fringe tem de continuar a procurá-lo e Walter dá-lhes uma ajuda, uma vez que o ‘homem invisível’ anda a matar pessoas com o intuito de trabalhar ele próprio num experimento que o permita tornar-se visível.

Apesar da sci-fi dominar em Fringe, as relações humanas, nunca são descuradas… até porque se há coisas que são invariáveis na vida, é que os sentimentos são o combustor da maior parte das nossas acções. E a preceito disto, o U-gene apenas desejava tornar-se visível para que uma mulher que vive no mesmo prédio que ele, o pudesse notar… todos os dias à mesma hora ele pega o mesmo elevador que ela. Quando ela finalmente o nota, ele pode morrer em paz, até porque esse é o efeito colateral dos seus experimentos. Acima de tudo, ele morre com a certeza de que ela sempre o notou e com o sentimento de missão cumprida!

Na verdade, apenas me recordo da famosa citação do Saint-Exupéry… o essencial é mesmo invisível aos olhos, apenas pode ser observado com os olhos do coração!

… mais não vale a pena escrever…

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